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Os mosquitos são insetos que existem há mais de trinta milhões de anos. Tudo indica que ao longo desses anos os mosquitos se dedicaram a aperfeiçoar suas habilidades ao ponto de serem agora especialistas em encontrar pessoas para picar.

Existem mais de 2.700 espécies de mosquitos no mundo e 13 gêneros nos Estados Unidos. A maioria dos mosquitos pertence a três desses gêneros:

Aedes – algumas vezes chamado de mosquitos de “enchentes”, porque a enchente favorece a incubação dos ovos. Os mosquitos Aedes têm abdomens com pontas salientes. São exemplos o mosquito da febre amarela (Aedes aegypti) e o mosquito tigre asiático (Aedes albopictus). Voadores resistentes, são capazes de viajar a grandes distâncias (deslocamentos de até 120km) de seus viveiros. Eles persistentemente picam mamíferos (especialmente os seres humanos), principalmente de madrugada e no início da tarde. As picadas são dolorosas;

Anoféles – tendem a procriar em corpos permanentes de água doce. Os mosquitos anoféles também têm abdomens com pontas salientes. Incluem diversas espécies, tais como a do mosquito comum da malária (anopheles quadrimaculatus), que pode transmitir a malária aos seres humanos;

Culex – tendem a procriar em corpos tranquilos de água parada. Os mosquitos culex têm abdomens sem pontas salientes. Incluem diversas espécies como a que mais existe na América do Norte, o (em inglês) “northern house mosquito” (Culex pipiens). Voam pouco e tendem a viver poucas semanas, apenas durante os meses de verão. Persistentemente picam (preferem mais os pássaros do que os seres humanos) e atacam na alvorada ou depois do crepúsculo. As picadas são dolorosas.

Alguns mosquitos, como os mosquitos tifa (Coquilettidia perturbans), têm sido mais prevalentes à medida que os homens invadem seus habitats.

Examinemos como os mosquitos vivem e procriam.

Ciclo de vida e de procriação

Como todos insetos, os mosquitos são incubados em ovos e passam por diversos estágios antes de atingirem a vida adulta. As fêmeas depositam seus ovos na água, os estágios de larva e pupa (ou crisálida), são inteiramente aquáticos. A pupa, quando alcança o desenvolvimento adulto, deixa a água e transforma-se em um inseto voador terrestre. O ciclo de vida de um mosquito pode variar desde uma até várias semanas, dependendo da espécie a que pertença (as fêmeas adultas acasaladas de algumas espécies podem sobreviver durante o inverno em lugares frios e úmidos até a primavera, quando então depositam seus ovos na água e morrem).

Picadas, doenças e proteção

Somente os mosquitos fêmeas picam. Elas são atraídas por várias coisas, incluindo calor, luz, transpiração, odor corporal, ácido láctico e dióxido de carbono. A fêmea pousa na pele e perfura-a com a tromba (a tromba é muito afiada e fina, a picada pode passar despercebida). A saliva da fêmea contém proteínas (anticoagulantes) que evitam a coagulação do sangue. Ela suga o sangue que vai parar no abdômen (cerca de 5 microlitros por refeição para um mosquito Aedes aegypti).

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Imagem cedida por centros de controle e prevenção de doenças (http://ciencia.hsw.uol.com.br)
Fêmea do mosquito Anopheles gambiae se alimentando.
Pode-se ver como seu abdômen aumenta com a chegada do sangue.

Se ela for perturbada, alça voo e escapa. Caso contrário ela fica até encher o abdômen completamente. Se cortássemos o nervo que a faz sentir o abdômen, ela continuaria sugando até arrebentar.

Depois da picada o mosquito deixa um pouco de saliva na ferida. As proteínas da saliva evocam um resposta imunológica do corpo. A área picada incha criando uma pústula e o inchaço no seu entorno coça como reação à saliva. Depois de algum tempo o inchamento desaparece mas a coceira continua até que as células de imunidade decomponham as proteínas da saliva.

Para tratar picadas de mosquito, lave a picada com sabão suave e água. Procure não arranhar a área picada, por mais que ela coce. Alguns remédios contra coceira podem dar alívio como loções de calamina ou cremes de cortisona vendidos mesmo sem receita em farmácias. De uma forma geral as picadas dispensam assistência médica (salvo se houver tontura ou náusea, sinais de forte reação alérgica).

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Doenças

Não transmite HIV. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) que causa a AIDS não sobrevive no mosquito, não podendo portanto ser transmitido pelas picadas de uma pessoa para outra.

Os mosquitos podem veicular muitos tipos de doenças causadas por bactérias, parasitas ou vírus. Dentre essas doenças podem ser lembradas:

Malária – causada pelo mosquito anféles. O parasita cresce na corrente sanguínea e causa sintomas dentro de seis a oito dias, ou mesmo após vários meses depois de contraída a infecção. Os sintomas incluem febre, calafrios dores de cabeça, dores musculares e mal estar generalizado (semelhante aos sintomas da gripe). A malária é uma doença grave que pode ser fatal, mas pode ser tratada com drogas antimalária. Ela ocorre com maior frequência nos climas tropicais e subtropicais;

Febre amarela – a febre amarela, prevalente na África e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, não existe nos Estados Unidos. Seus sintomas são semelhantes aos da malária, mas incluem náuseas, vômitos e icterícia. Assim como a malária, a febre amarela também pode ser fatal. Não existe tratamento para a doença propriamente dita, somente alívio dos sintomas. A febre amarela pode ser controlada pela vacinação e pelo controle do mosquito;

Encefalite – é transmitida por vírus através de mosquitos como o Aedes ou o Culiseta. Os sintomas da encefalite são febre alta, rigidez no pescoço, dor de cabeça, confusão, indolência e sonolência. Existem vários tipos de encefalite que podem ser transmitidos por mosquitos, denominadas St. Louis, equina ocidental, equina oriental, La Crosse e oeste do Nilo. A encefalite oeste do Nilo, em ascensão no leste dos Estados Unidos, tem causado preocupações quanto à eficácia das medidas de controle dos mosquitos;

Febre da dengue – é transmitida pelo mosquito tigre asiático, nativo do leste da Ásia, tendo aparecido nos Estados Unidos em 1985. Também é transmitida pelo Aedes aegypti nos trópicos. A dengue é causada por um vírus responsável por causar diversas doenças, desde a gripe viral à febre hemorrágica. É especialmente perigosa para as crianças.

Mosca pequena
A palavra “mosquito” é o equivalente em português para “little fly,” e seu uso data de 1583 na América do Norte (os europeus chamam os mosquitos de “gnats”). Os mosquitos pertencem à ordem Diptera, moscas verdadeiras. Os mosquitos são como moscas quanto às asas, mas, ao contrário delas, as asas têm escamas, as pernas são longas e as fêmeas têm parte da boca proeminente, ou possuem uma proboscis, (tromba, em latim), para perfurarem a pele da pessoa atacada.